Rodoviários iniciaram paralisação geral nesta segunda-feira (3)
Por Pablo Giovanni | Foto: TV Globo/Divulgação
03/05/2021 10:49, atualizado às 10:51 de 03/05/2021
Os brasilienses acordaram com uma surpresa na manhã desta segunda-feira (3): os rodoviários paralisaram e nenhum ônibus saiu dos terminais. O movimento de paralisação é algo discutido desde semana passada dentro da categoria, com reivindicações apresentadas pelo sindicato em reunião com a cúpula do GDF na sexta-feira passada (30). A reunião contou com a participação do governador Ibaneis Rocha (MDB).
Sem acordo, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte do Distrito Federal (Sittrater) se reuniu e concretizou a paralisação. “Na segunda-feira, 3 de maio de 2021, a greve vai acontecer conforme já anunciado. É o lockdown dos rodoviários para cobrar a vacinação dos trabalhadores”, afirmou. Os rodoviários esperavam um plano de inclusão dos trabalhadores na campanha de vacinação contra a covid-19, junto a profissionais da educação e segurança.
Com a greve, inicialmente prevista para a última sexta-feira, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-10) determinou que a greve da categoria ocorra de maneira moderada: 60% dos ônibus devem rodar nos horários de pico e 40%, no resto do dia. A pena para o descumprimento é de R$ 50 mil.
Vias liberadas
Com paradas lotadas e o trânsito congestionado, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran) liberou o uso das faixas exclusivas de ônibus, com exceção das faixas usadas pelo BRT-Sul.
Outras pistas exclusivas, como as vias W3 Sul, W3 Norte, Eixo Monumental e do Setor Policial Sul poderão ser usadas para todos os veículos.
Responsável também por outras vias, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) liberou faixas exclusivas da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e da Parque Núcleo Bandeirante.
Greve dos Metroviários acontece simultaneamente
Outra greve que acontece simultaneamente é a dos metroviários, que completaram nesta segunda-feira (3/5) 13 dias de paralisação após reivindicações não cumpridas por parte da companhia, segundo o sindicato da categoria.
Apesar do não avanço nas negociações para a retomada do serviço total, o Metrô-DF encaminhou uma proposta à categoria em 14 de abril. O sindicato, no entanto, afirma que não há o que ser votado, já que não houve mudanças solicitadas no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), um dos estopins para a paralisação dos metroviários.
“A empresa [Metrô-DF] e GDF estão tratando a população e os metroviários com muito descaso, pois não se empenham em resolver em definitivo a greve e ficam tomando medidas paliativas, prolongando a greve. Infelizmente, já estamos no 11º dia de greve e não temos previsão para o fim do movimento”, afirmou o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), em contato com o DFÁguasClaras.
A categoria dos metroviários, além de denunciar que a companhia tem descumprido cláusulas do ACT de 2019 ao último dia 31, cobram o corte do auxílio-alimentação, principal estopim para o início da greve.
“Nosso benefício é de R$ 1,2 mil, e o Metrô cortou. Não quiseram negociar nem diante do TRT. Além disso, querem cortar nosso plano de saúde e nossa previdência. São benefícios conquistados no Acordo Coletivo de Trabalho”, afirmou, em 23 de abril, a diretora de administração do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô/DF), Renata Campos.
Com a paralisação, o Tribunal Superior do Trabalhou (TST) decidiu que os metroviários aumentasse os porcentuais dos trens, principalmente nos horários de pico para evitar a proliferação do coronavírus na capital. Na liminar solicitada pelo Metrô-DF e o governador Ibaneis Rocha, a corte decidiu que 80% do quantitativo dos trens funcionarão nos horários de pico, e 60% nos demais horários. Em nota, o sindicato afirmou que acatou a decisão e que a paralisação não é contra a população, mas a favor da manutenção dos direitos.
“O Metrô foi recorrer ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) para aumentar os percentuais de funcionamento do sistema. O TST deferiu parcialmente, aumentando o quantitativo para 80% nos horários de pico e 60% nos demais horários. O Sindmetrô, antes mesmo de ser notificado, realizou uma assembleia no último sábado e nesta oportunidade decidiu acatar a decisão da Justiça, pois a nossa greve não é contra a população, é unicamente para manter nossos direitos já conquistados. Temos um documento do Tribunal de Contas em relação às cláusulas que a empresa quer retirar, que diz claramente que não existe exigência obrigatória para retirada de cláusulas , como afirma a empresa. A proposta da empresa era sempre no sentido de retirar direitos e a categoria recusou, pois não estamos pedindo aumento, mas queremos manter exatamente nossos direitos já conquistados”, concluiu em nota a categoria.
Após resposta do sindicato, o DFÁguasClaras buscou o Metrô-DF sobre a declaração da categoria, mas até o fechamento desta reportagem não obtivemos resposta.
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