“Roda Gigante”

///“Roda Gigante”

Ir ao cinema assistir um filme novo de Woody Allen já é um acontecimento. Goste ou não do trabalho do diretor, não dá para sair impassível da sala. Mesmo sabendo que a fórmula vai se repetir uma, duas, três ou mil vezes, os filmes de Allen são uma delícia de ser ouvir. E se ver, porque a fotografia é sempre um capítulo à parte.
“Roda Gigante”, seu último trabalho que estreou nos cinemas este mês, está mais para drama do que para comédia. Não sei se o casal sentado ao meu lado no cinema (que não parava de tagarelar e me deixou irritadíssima) atrapalhou minha percepção do drama, mas neste último trabalho dei poucas risadas. Acho que o diretor preferiu enfatizar a tragédia.
Acostumado e famoso por dirigir grandes atrizes, Woody Allen e Kate Winslet fizeram a melhor parceria no filme. Ela é Ginny, uma atriz frustrada que trabalha como garçonete em Coney Island, casada com Humpty (James Belushi) e envolvida em uma relação amorosa e até pré profissional com Mickey (Justin Timberlake) um salva vidas que sonha ser dramaturgo e se esmera ao citar Eugène O”Neil e Ernest Jones o filme todo. Acontece que a filha do primeiro casamento de Humpty, Caroline (Juno Temple), chega pra morar com eles fugindo de um gangster (mais Woody Allen impossível) e se envolve com Mickey. O triângulo está formado. O drama da mulher mais velha versus a mais nova começa a tomar forma enquanto o sonho de Mickey versus Humpty também acontece.
Como em “Match Poitn” e “Crimes e Pecados” Allen discute as consequências e a responsabilidade pelas nossas escolhas. E faz a metáfora com a roda gigante e o sobe e desce de emoções que é a vida.
Kate Winslet faz uma Ginny que mistura Jasmine e Cecile (“Blue Jasmine” e “A Rosa Púrpura do Cairo”), mulheres instáveis emocionalmente, frustradas e altamente sonhadoras. E é, como sempre, brilhante.
Mickey, cuja profissão é a de salva vidas também é um ponto a se pensar quando a única vida que ele realmente se interessa em salvar é a própria.
Outro ponto que me chamou atenção é a fotografia que ao iluminar de vermelho o quarto e o rosto de Ginny quando ela pensa em Mickey e perder a cor quando ela pensa em Humpty, é tão somente um dos motivos que fazem da direção de Woody Allen genial.
Se este filme não nos faz rir das piadas ácidas, inteligentes e provocativas tão típicas dos roteiros do diretor, certamente nos fará rir de nós mesmos.
Woody Allen sempre vale a pena.

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Cinéfila, sapateadora e mãe. Inquieta e sempre em busca de respostas para perguntas que ainda nem fiz. Escrevo sobre tudo que me der vontade e uso as palavras para libertar todos os sentimentos que se agitam dentro de mim.

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