Localização de contêineres de lixo gera debate entre comerciantes e condomínio em Águas Claras
Contêineres de lixo instalados próximos a estabelecimentos de alimentação se tornaram motivo de debate em um condomínio de Águas Claras. Enquanto comerciantes relatam impactos no dia a dia, a administração do empreendimento afirma que a solução adotada segue critérios técnicos e orientações dos órgãos competentes.
Atualmente, o condomínio reúne cerca de 300 apartamentos e aproximadamente 30 lojas. Os contêineres utilizados para o descarte de resíduos ficam em uma das extremidades do complexo, próximos a um bloco que concentra operações de alimentação.
Enquanto comerciantes relatam transtornos relacionados a odores, presença de roedores e impactos na experiência dos clientes, o condomínio afirma que definiu o local com base em critérios técnicos e destaca que órgãos públicos não apontaram irregularidades na área.
Comerciantes questionam localização
A empresária Bruna, sócia de um estabelecimento alimentício instalado no condomínio desde 2022, afirma que a preocupação aumentou nos últimos meses após a mudança da localização dos contêineres. Segundo ela, os equipamentos ficavam anteriormente em outra área do empreendimento. No entanto, após mudanças ocorridas durante e depois da construção de um prédio vizinho, os contêineres passaram a ocupar um espaço em frente ao bloco comercial onde funcionam lojas de alimentação.
“A gente tem muito problema com rato na área externa. Cliente sentado tomando café no meio da tarde e um ratinho passando no pé dele. É uma situação desesperadora”, relata.
Além da presença de roedores, Bruna afirma que o odor gerado durante a coleta dos resíduos também afeta a rotina do estabelecimento.
“Fica muito complicado você estar sentado para comer um bolo, tomar um café e sentir aquele cheiro. Bate o vento e o cheiro é horrível”, diz.
A comerciante afirma ainda que a situação afeta a imagem do negócio e pode influenciar a frequência dos clientes.
“Clientes já comentaram que deixaram de frequentar o local depois de passarem por situações desconfortáveis. Isso acaba impactando a imagem da loja e também as vendas”, afirma.
Além disso, Bruna diz que os comerciantes não defendem a transferência dos contêineres para a frente de outros estabelecimentos. Segundo ela, o grupo sugere um espaço mais central, em frente ao condomínio, onde os equipamentos ficariam mais distantes das áreas de alimentação.
“A gente não quer que fique na frente de outra loja de forma alguma. A gente já tentou uma argumentação de que ficasse no meio do condomínio. Seria o local ideal, porque não ficaria na frente de nenhuma loja. Então ficaria de fácil acesso para todas as lojas”, explica.
Condomínio defende escolha
Por outro lado, o síndico do condomínio, Sandro, afirma que o condomínio escolheu o local após analisar as alternativas compatíveis com as diretrizes estabelecidas pelos órgãos públicos. Segundo ele, a solução atual causa o menor impacto possível aos lojistas.
“Dentre as alternativas compatíveis com as diretrizes estabelecidas pela Ordem de Serviço da Administração Regional de Águas Claras, de abril de 2024, esta é a opção que causa o menor impacto aos lojistas”, afirma.
O síndico explica que praticamente toda a extensão térrea do condomínio abriga estabelecimentos comerciais e que a proximidade da área de descarte ao ponto de saída dos resíduos foi um dos principais critérios considerados. Além disso, Sandro destaca que o condomínio implantará uma estrutura coberta para acomodar os contêineres. De acordo com ele, o abrigo ajudará a reduzir problemas relacionados ao acesso de animais, à dispersão dos resíduos e aos odores.
Condomínio destaca ações de limpeza
Segundo o síndico, a equipe do condomínio realiza a limpeza e a higienização dos contêineres sempre que necessário. Além disso, ele informa que o condomínio renovou parte dos equipamentos nos últimos meses e adquiriu quatro novos contêineres. Ainda de acordo com Sandro, a administração realiza serviços de desratização autorizados pelos órgãos competentes para reduzir a presença de roedores.
Fiscalizações não apontam irregularidades
Enquanto comerciantes defendem a mudança da área de descarte, a secretaria DF Legal informou que realizou diversas fiscalizações no endereço após manifestações registradas na Ouvidoria. Segundo o órgão, a vistoria mais recente ocorreu em 8 de junho e não identificou irregularidades.
A pasta esclareceu que fiscaliza aspectos como limpeza, conservação e capacidade volumétrica dos contêineres. Além disso, informou que não avalia a proximidade entre áreas de descarte e estabelecimentos de alimentação. Por sua vez, o síndico afirma que outras inspeções realizadas anteriormente também não identificaram problemas relacionados à área de armazenamento dos resíduos.
O que dizem os órgãos
A Vigilância Sanitária orienta que condomínios e comerciantes adotem medidas conjuntas para garantir o correto gerenciamento dos resíduos sólidos. Entre as recomendações estão a separação adequada dos materiais, a higienização diária dos contêineres e das áreas de armazenamento e a redução do tempo de permanência dos resíduos até a coleta.
Além disso, o órgão informa que moradores e comerciantes podem registrar manifestações na Ouvidoria Geral do Distrito Federal caso identifiquem irregularidades sanitárias persistentes.
Já o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informa que presta orientação técnica sobre a quantidade adequada de contêineres e indica locais apropriados para a instalação dos equipamentos, de forma a garantir a coleta pelos caminhões.
Segundo o SLU, não existe uma regra específica para a instalação de contêineres em condomínios de uso misto. A autorização para utilização dos espaços públicos destinados aos equipamentos cabe às administrações regionais, enquanto a DF Legal realiza a fiscalização.
Por sua vez, a Administração Regional de Águas Claras informou que analisa esse tipo de instalação com base em normas específicas e em pareceres técnicos do SLU. O órgão acrescentou que considera a proximidade entre áreas de armazenamento de resíduos e estabelecimentos de alimentação durante a avaliação dos projetos.
Discussão continua
Até o momento, nenhum dos órgãos consultados pela reportagem identificou irregularidades na área de descarte do condomínio. Ainda assim, a discussão continua entre comerciantes e administração. Enquanto lojistas defendem a reavaliação da localização dos contêineres para reduzir impactos percebidos no dia a dia, o condomínio afirma que a solução adotada segue critérios técnicos e representa a alternativa mais adequada entre as opções disponíveis.
Nesse contexto, o caso abre espaço para um debate mais amplo sobre gestão de resíduos, convivência entre áreas residenciais e comerciais e os desafios enfrentados por condomínios de uso misto em regiões em constante crescimento, como Águas Claras.
Por: Rafaella Iack.
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